Bebê resgatada no Paraguai retorna a Campo Grande sob tutela judicial
Após rapto e fuga para fronteira, recém-nascida de um mês é abrigada pelo Conselho Tutelar enquanto tribunal avalia devolução à família
Campo Grande — A bebê Ayla Emanuelly, de apenas um mês de vida, retornou a Campo Grande nesta terça-feira (11) após ter sido resgatada em solo paraguaio. A recém-nascida encontra-se sob responsabilidade do Conselho Tutelar, aguardando parecer do Poder Judiciário sobre seu encaminhamento definitivo. Por determinação judicial inicial, a criança permanece em acolhimento institucional provisório enquanto os magistrados avaliam as condições para a devolução à família originária.
O caso teve início na última quinta-feira (6), quando a recém-nascida foi levada de uma residência na capital sul-mato-grossense. Em depoimento prestado à polícia, a mãe do bebê, uma adolescente de 17 anos, relatou ter ido ao imóvel acompanhada da irmã, de 12 anos, atraída por uma oferta de R$ 100 para cuidar da filha de uma moradora. No local, ao consumirem água oferecida pela dona da casa, a irmã mais nova adormeceu profundamente, despertando somente por volta das 20h.
Sob fortes ameaças verbais, a jovem de 17 anos foi coagida a entregar a recém-nascida. Conforme o relato registrado nas investigações, a suspeita afirmou que, caso houvesse recusa ou reação, as duas irmãs seriam "jogadas em um buraco". Diante da intimidação física e psicológica, o bebê foi retirado do local e levado em rumo desconhecido.
A localização do paradeiro da bebê mobilizou forças de segurança dos dois lados da fronteira. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) acionou a Polícia Civil em Ponta Porã e o Comando Bipartite — estrutura de cooperação internacional entre o Brasil e o Paraguai. Em ação integrada com operadores táticos da Diretoria de Polícia de Amambay e a unidade antissequestro do país vizinho, os policiais mapearam o local do cativeiro.
Na madrugada de domingo (9), os agentes efetuaram a invasão de uma residência na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, onde localizaram Ayla ilesa. No imóvel, o casal de brasileiros Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foi preso em flagrante. Ambos foram transferidos para o estabelecimento penal de Ponta Porã. Além do envolvimento no rapto, Alex apresentava mandado de prisão em aberto decorrente de uma condenação no Amazonas a 11 anos e seis meses de reclusão em regime fechado por homicídio.
As apurações policiais levaram também à prisão de um terceiro suspeito no sábado (8), sob a acusação de haver cedido o imóvel utilizado no plano de ocultação do bebê. Em nota oficial enviada à imprensa, os advogados do suspeito informaram que analisam os autos do processo para demonstrar a ausência de vínculo direto do cliente com o crime. O caso segue sob apuração e instrução do inquérito conduzido pela DEPCA.
Pantanews — Informação regional em tempo real.