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Polícia Civil prende influencer Eduardo Razuk e bloqueia R$ 500 milhões em esquema de rifas

Polícia Civil prende influencer Eduardo Razuk e bloqueia R$ 500 milhões em esquema de rifas
Polícia Civil prende influencer Eduardo Razuk e bloqueia R$ 500 milhões em esquema de rifas

Investigação aponta movimentação de R$ 100 milhões em seis meses; grupo usava empresas em outros estados para simular autorização legal e ocultar recursos

Campo Grande — O influenciador digital Eduardo Razuk, o irmão dele, Rafael Razuk, e outros dois empresários foram presos preventivamente nesta quarta-feira (19) durante a Operação Rodas da Sorte. Conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a ação desarticulou uma estrutura interestadual investigada por promover loterias não autorizadas com veículos de luxo, lavagem de capitais e associação criminosa.

As apurações apontam que o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões em apenas seis meses. Por ordem judicial, foram indisponibilizados cerca de R$ 500 milhões depositados em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de 22 automóveis de alto padrão avaliados em R$ 20 milhões, cinco imóveis e dois relógios de luxo.

O delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, responsável pela condução do inquérito, detalhou que Razuk promovia rifas desde 2019. A mecânica operacional, inicialmente concentrada na capital sul-mato-grossense, foi modificada a partir de 2025 para sofisticar a ocultação patrimonial após ofensivas policiais contra outros influenciadores pelo país. A partir desse período, o grupo associou-se a empresas no Rio de Janeiro e na Paraíba com o objetivo de forjar autorizações e mascarar a origem ilícita dos valores.

Segundo Cunha, a firma carioca exercia o papel de intermediária entre figuras públicas das redes e uma entidade paraibana sem competência normativa para autorizar sorteios. A intenção era conferir um "falso ar de legalidade" às vendas de cotas e viabilizar o retorno dos recursos aos responsáveis sob aparência regular. A polícia apura ainda a prestação de serviços similares pela empresa fluminense a investigados por tráfico de drogas, embora não haja vínculo direto entre entorpecentes e a movimentação de Razuk.

No ordenamento jurídico brasileiro, a venda de bilhetes numerados por particulares é classificada como loteria não autorizada pelo Ministério da Fazenda. Apenas promoções comerciais devidamente autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) — com distribuição gratuita de prêmios vinculada a marcas — ou sorteios beneficentes específicos possuem respaldo legal. Embora a corporação não tenha identificado indícios de fraude na entrega dos carros sorteados aos participantes, a falta de fiscalização oficial e o modelo de exploração configuram a ilicitude que sustenta o crime antecedente de lavagem.

Os mandados foram cumpridos em três estados: duas prisões e quatro buscas em Campo Grande, uma prisão e quatro buscas na Paraíba (com a detenção de um suspeito de 43 anos em João Pessoa) e uma prisão com três buscas no Rio de Janeiro (onde foi detido um investigado de 46 anos). Telefones celulares e equipamentos apreendidos passarão por perícia técnica da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc). Quem comprou bilhetes não deve responder criminalmente, a menos que surjam provas de coparticipação nos delitos.

A defesa de Eduardo e Rafael Razuk contestou as acusações em nota assinada pelos advogados Tiago Bunning e Heitor Matos: "Ainda não temos acesso à investigação e a decisão judicial, mas podemos antecipar que os sorteios realizados são legais. A operação respeita todo o regramento específico do setor, não havendo qualquer irregularidade. Após ter acesso ao procedimento podemos prestar novos esclarecimentos."


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